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Quando o vento sumiu | Graciela Mayrink

Quando o vento sumiu é o terceiro livro da escritora carioca Graciela Mayrink. Ela escreve sobre o amor jovem, com seus dramas e dilemas, em cenários nacionais, bem comuns a nós.

 

A bibliografia de Graciela inclui livros que transitam entre Minas e Rio de Janeiro. A cidade de Viçosa em Minas Gerais é o cenário de Até eu te encontrar (2013); Rio das Pitangas, cidade fictícia a 200 Km de Belo Horizonte é o palco do livro A namorada do meu melhor amigo (2014); Quando o vento sumiu (2015) tem como sede o Rio de Janeiro, que também serve de cenário para O som de um coração partido (2018) e O final da nossa história (2019).

 

A principal marca da Graciela é a simplicidade de suas histórias, seus personagens são gente como a gente, com diálogos populares e referencias reconhecidamente nacionais.

 

Quando o vento sumiu conta a história de três amigos: Suzan, Mateus e Renato, e o triângulo amoroso que os envolve. Suzan ama Renato que só quer sua amizade, enquanto Mateus sofre de amor pela amiga.

 

A história começa dez anos depois que um acontecimento trágico acabou com a amizade deles. Suzan e Renato se reencontram na Alemanha e claro, relembram o passado para nós.

 

Renato: É o típico garoto que não quer se comprometer com nada. Leia-se nada, faculdade, emprego, garotas. É rico, vive sua vida entre a praia e os amigos. Não percebe que Suzan o ama e, por isso, é indiferente, mas não de um jeito esnobe, pelo contrário tem muito consideração pela amiga.

 

“Não queria começar uma nova discussão com o pai sobre trabalhar. Já estava indo todos os dias na construtora, não batava? Olhou pela janela e se sentiu frustrado com a visão do sol iluminando o Rio de Janeiro. Se pelo menos estivesse chovendo, a ida até a construtora seria menos torturante.” (pág.217)

 

Renato é filho de um grande empreiteiro, que emprega além do pai de Suzan, também Mateus, que pega a vaga de estágio recusada por Renato. A propósito da amizade Renato e Mateus, ela é forte, e sobreviveu a um escândalo envolvendo o pai de Mateus, preso, em um evento de grande repercussão nacional.

 

Mateus: Esse mistério envolvendo o seu pai, vai sendo desvendado aos poucos e é um dos artifícios que prendem o leitor.  Apesar de ser um bom filho, Mateus é revoltado com o pai, e frustrado por amar a melhor amiga e não ser, a princípio, correspondido.

 

É estudioso, responsável, mas quando o assunto é o pai, Mateus se transforma completamente em um menino chato e imaturo, do tipo que dá chiliques com a mãe. Lembra sempre que por conta do incidente com o pai, a mãe precisou trabalhar (saindo de sua zona de conforto) para terminar de criar e filho e garantir a sobrevivência deles.

 

Suzan: Aos poucos percebemos que muito do amor que Suzan sente por Renato foi na verdade, idealizado pela mãe, que quer a todo custo ver a filha casada com o ricaço. Ela idealiza para a filha, as escolhas que não fez em sua própria vida. Como Suzan só tem olhos para Renato, não consegue enxergar sequer que Mateus é bonito e atraente. Mas ela o fará.

 

Em meio ao dia a dia da universidade e suas famosas festas, os três amigos vivem, cada um com seus problemas e paixões. Sobretudo Renato, que coleciona beldades toda semana, para tristeza de Suzan. Contudo, ela está disposta a acabar com esse sofrimento, e quando decide intimar Renato, percebe que de fato o garoto só a vê como amiga, e que ao seu lado, está perdendo a chance de viver um grande amor.

 

O começar deste romance, os desdobramentos da prisão do pai de Mateus, movem a história até o momento em que as escolhas e um acontecimento abalará as estruturas dos três. Como se trata de escolhas, a autora deu um mimo, oferecendo ao leitor dois finais.

 

Quando o vento sumiu é um drama nacional jovem, com escrita bem explicativa, às vezes até demais, sem deixar qualquer espaço para o leitor sonhar sozinho.  É indicada principalmente para jovens leitores que estão iniciando a vida literária. Os leitores mais experientes, certamente encontrarão outros motivos para crítica, mas eu gostei bastante. É uma leitura de entretenimento.

 

Gostei muito do projeto da capa, e também da diagramação, letras grandes e capítulos curtos, ajudam na fluidez da leitura.

 

A Graciela é uma das autoras da nova geração que vale a pena a leitura.

 

 

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Elis Rouse
Sou Elis, não sou Regina; sou do interior e amo a capital; sou jornalista, mas não trabalho em jornal; amo ler, sonho escrever; dicas vou dar, dicas quero receber; experiências vamos trocar; literatura brasileira vamos amar!

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